
O seguro rural é considerado uma das principais ferramentas de proteção para o produtor agrícola. Em um cenário de mudanças climáticas cada vez mais severas, seu papel se torna ainda mais estratégico. Porém, no Brasil, este instrumento enfrenta desafios que colocam em risco sua efetividade e alcance.
Bloqueio de recursos e promessa de novo modelo
Em junho deste ano, o governo federal bloqueou R$ 445 milhões do Programa de Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural — quase metade do orçamento de 2025. A medida gerou forte impacto no setor, deixando milhares de produtores desassistidos.
Como resposta, o ministro da Agricultura e Pecuária anunciou que será apresentado, até setembro, um novo modelo de seguro rural, com a promessa de corrigir falhas e ampliar o acesso ao programa.
Recursos destinados ao Programa de Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural.
O orçamento do seguro rural no Brasil apresentou forte instabilidade nos últimos anos, caindo de R$ 1,2 bilhão em 2020 para apenas R$ 0,6 bilhão em 2025. Essa redução compromete a adesão dos produtores e limita o alcance da política agrícola, deixando grande parte da produção exposta a riscos climáticos.
Seguro rural: gasto ou investimento?
O seguro deve ser visto como investimento em estabilidade e não apenas como gasto público. A proteção contra perdas climáticas evita inadimplência, garante a continuidade da produção e reduz a necessidade de socorro financeiro emergencial por parte do governo.
Mudanças climáticas ampliam riscos
Nos últimos 20 anos, a frequência e a severidade de eventos climáticos extremos — secas, enchentes, geadas — aumentaram significativamente no Brasil. Isso reforça a urgência de mecanismos estruturados de mitigação de risco, como o seguro rural, aliado às pesquisas agroclimáticas e ao crédito rural.
Comparação internacional
Enquanto apenas cerca de 15% da área agricultável brasileira está coberta pelo seguro rural, países como a Espanha e os Estados Unidos apresentam índices muito superiores, com forte apoio governamental e modelos consolidados de parceria entre o setor público e privado.
Essa disparidade evidencia o potencial de expansão do mercado brasileiro e a necessidade de políticas consistentes e de longo prazo.
Percentual de área agrícola protegida por seguro rural em diferentes países.
Enquanto apenas 15% da área agrícola brasileira está coberta pelo seguro rural, países como a Espanha (70%) e os Estados Unidos (90%) apresentam índices muito mais elevados. Essa diferença mostra como o Brasil ainda tem um grande caminho a percorrer para garantir maior proteção aos produtores frente às mudanças climáticas.
O impacto direto no produtor
Sem seguro, o produtor fica mais vulnerável a prejuízos que podem comprometer safras inteiras e resultar em endividamento. O efeito em cadeia atinge desde o acesso ao crédito até a continuidade da atividade agrícola, impactando a segurança alimentar e a economia do país.
Caminhos para o futuro
Para que o seguro rural cumpra seu papel estratégico, especialistas apontam três necessidades:
1. Estabilidade orçamentária, evitando cortes inesperados que fragilizam o programa.
2. Ampliação da cobertura, tanto em número de culturas quanto em área segurada.
3. Integração com políticas de crédito e gestão de riscos, garantindo previsibilidade e confiança ao produtor.